Como age certa gente
Me irrita e me faz rir
E apenas a verdade
Irei descrever aqui
O que digo é com razão
Vendo a descriminação
Que existe em Calumbi
Se eu faltar com a verdade
Dou a mão à palmatoria
É que humilhar os mais pobres
Pra muitos é uma glória
Dane-se quem não gostar
Ninguém me obriga a calar
O que trago na memória
É grande o mercenarismo
Que aqui vejo em muita gente
Só liga a quem tem dinheiro
Ao pobre é indiferente
É isso o que me irrita
De todos querem visitas
Se adoece um seu parente
Muita gente em Calumbi
É presunçosa e artista
Aqui a conveniência
Cresceu a perder de vista
Não tem mais gente modesta
Se alguém vai dar uma festa
Pobre não consta na lista
Se acontece um evento
Pobre nem querem na porta
Só chamam quem tem dinheiro
Aos mesmos é o que importa
Já se doente ficar
E você não visitar
Já ficam de carga torta
Não gosto de hipocrisia
Não consigo ser assim
E só sei considerar
A quem considera a mim
Se não sou considerado
Não fico preocupado
Que digam que sou ruim
Sou bom observador
A tudo eu estou atento
Aqui de certas pessoas
Eu vejo o comportamento
Nessa terra a hipocrisia
Prolifera dia-a-dia
É isso o que eu não aguento
Sendo para precisarem
Se aproximam facilmente
E com um falso sorriso
Procuram mostrar seus dentes
Pra enganar tentam sorrir
Já sendo para servir
Ai tudo é diferente
Essa prática eu ja conheço
Vítima da qual eu ja fui
Dentre os que foram logrados
O meu nome se inclui
Quando besta fui usado
E em seguida descartado
Ser otário em nada influi
Calumbi tem gente prática
Cujo próximo sabe usar
Com grande facilidade
Procura se aproximar
Pra alcançar um objetivo
Depois sem qualquer motivo
Começa a se afastar
É gente conveniente
Que de besta nada tem
Estando bom para si
É isso o que lhe convém
Quase não há exceção
No fogo eu não ponho a mão
Pra garantir por ninguém
Não mais me deixo enganar
Pois ja estou inteirado
Aqui de tanto apanhar
Já estou ressabiado
Penso nisso a todo instante
Feito cão de retirante
Já ando desconfiado
A mim ninguém usa mais
Demorou mais aprendi
Por tantas decepções
Das quais eu fui vítima aqui
Assim tenho que dizer
Fui obrigado aprender
A viver em Calumbi
Tenho prestado atenção
E não estou enganado
Pra participar de festas
Muitos são ignorados
Digo sem cometer erros
Só para assistir enterros
Todo mundo é convidado
Quando vão dar uma festa
São mais que convenientes
Pra mandarem os convites
Ignoram muita gente
E so sabem convidar
O pobre a participar
Do enterro dos seus parentes
Muita gente não me aceita
Pelo meu modo de ser
Não consigo ser hipócrita
Para a verdade esconder
Não encaro as consequências
Desprezo a conveniência
Só assim sei proceder
Para festas não convidam
Assim posso garantir
Já sendo para um velório
Todo mundo pode ir
A coisa muda de tom
Na rua o carro de som
Começamos a ouvir
Esposa filhos e netos
Cumprem o triste dever
De comunicar o fato
Que acabou de acontecer
Não há descriminação
Pedem pra população
Ao enterro comparecer
O convite é para todos
É regra sem exceção
Ao contrário dos da festa
Convidam sem restrição
Ninguém é ignorado
Todos serão convidados
Pra seguirem o caixão
Assim agem as pessoas
A maneira é sempre essa
Sabem ser convenientes
Quando assim lhes interessa
E nada mesmo as impede
Assim o povo procede
E o mais é só conversa
Quem aqui vai dar uma festa
Já sabe a quem convidar
Manda fazer os convites
Pra mesma realizar
O povo assim se comporta
Ao pobre é fechada a porta
Pra na mesma não entrar
Só receberá convite
Assim digo consciente
Quem tem boa condição
Nunca por ser boa gente
O povo é interesseiro
Convida a quem tem dinheiro
Que pode dar bons presentes
Em festa de aniversário
Casamento ou batizado
O pobre fica de fora
Por todos é descartado
Só convidam a elite
Pro pobre não vai convite
Permanece ignorado
Já sendo para um velório
Ai tudo é diferente
Todo mundo é convidado
Pra que velem seu parente
Aparentam ser bonzinhos
E até mesmo cafezinhos
Dão ali pra toda a gente
A cada dia que passa
Tiro as minhas conclusões
As mágoas guardo comigo
Também as desilusões
Me refiro ao ser humano
Causa dos meus desenganos
E infindas decepções
Certas coisas que descrevo
Aliviam o meu peito
Não o faço por inveja
Muito menos por despeito
São fatos que acontecem
Que muito me entristecem
Pra entendê-los não há jeito
A cada dia que passa
Eu fico mais convencido
Ninguém é valorizado
Nem também reconhecido
A não ser pelo que tem
Se pobre não é ninguém
De tudo é sempre excluído
Também pra chá de cozinha
Convidam cachorro e gato
Pra que levem seus presentes
Mesmo que sejam baratos
Assim eu posso afirmar
Ali so sai mungunzá
O que descrevo é um fato
Tem gente como formiga
Vão a filha a mãe e o pai
Se alguém entra com o presente
Logo com seu prato sai
Tem toda espécie de gente
Comendo mungunzá quente
É aquele vem e vai
Daquele chá de cozinha
Dos que foram convidados
Pra festa do casamento
Muitos serão descartados
É a verdade acredite
Pra muitos não vai convite
Como sempre é ignorado
Aquele que deu a festa
Bem pouca gente chamou
A maior parte do povo
Em seguida descartou
Digo com plena certeza
Pra sentar-se à sua mesa
Só os graúdos convidou
Já não importa a pessoa
Mas sim sua posição
Mesmo que não valha nada
Tendo boa condição
Ali não pode faltar
Para a festa abrilhantar
Com um bom presente na mão
O povo de Calumbi
Transformou-se totalmente
Só age por interesse
De modo conveniente
Quem tem é considerado
Que não tem é descartado
É visto como indigente
Porém dos donos da festa
Se em seguida morre alguém
Pra que assistam o enterro
Convite pra todos tem
Que digam que sou ruim
Se dependesse de mim
Pra la num ia ninguém
Por isso eu não participo
De velório de ninguém
Muito menos de enterros
Agir assim me convém
É a opção que me resta
Não fui chamado pra festa
Pra enterro não vou também
Quem deve ir pro enterro
É quem foi considerado
Quem participou da festa
Por ter sido convidado
Isso eu não farei jamais
De enterros não ando atrás
Se antes fui ignorado
Quem quiser me criticar
Que sinta-se a vontade
Mas no fundo do seu intimo
Sabe que digo a verdade
Se daqui é essa a norma
Eu ajo da mesma forma
Não fujo a realidade
É normal em Calumbi
Essa descriminação
Se alguém vai dar uma festa
Chama a quem tem condição
Já se morre um seu parente
Convidam a toda gente
E o fazem sem distinção
É assim que acontece
Essa é a verdadeira história
Despreza os mais humildes
Pra muitos é uma glória
Se fui sempre ignorado
Ficarei sempre lembrado
Eu tenho boa memória
Não tenho papa na língua
Que alguém goste ou não
Quanto ao que aqui descrevi
Não mudo de opinião
É essa a realidade
Tudo o que eu disse é verdade
Sobre a descriminação
Sem dúvida a conveniência
Reina livre em Calumbi
Eu vejo o mercenarismo
De muita gente daqui
Com essa quadro me assusto
A muitos não importa o custo
O importante é subir
Até mesmo nos enterros
Vê-se a descriminação
Se é pobre não tem ninguém
Seguindo atrás do caixão
Já no enterro de um rico
Só observando eu fico
Vai toda a população
No dia em que eu morrer
Eu digo de coração
Me bastam quatro pessoas
Pra que levem meu caixão
Até la no cemitério
É dessa forma que quero
Eu detesto encenação.
Para festas não convidam
Assim posso garantir
Já sendo para um velório
Todo mundo pode ir
A coisa muda de tom
Na rua o carro de som
Começamos a ouvir
Esposa filhos e netos
Cumprem o triste dever
De comunicar o fato
Que acabou de acontecer
Não há descriminação
Pedem pra população
Ao enterro comparecer
O convite é para todos
É regra sem exceção
Ao contrário dos da festa
Convidam sem restrição
Ninguém é ignorado
Todos serão convidados
Pra seguirem o caixão
Assim agem as pessoas
A maneira é sempre essa
Sabem ser convenientes
Quando assim lhes interessa
E nada mesmo as impede
Assim o povo procede
E o mais é só conversa
Quem aqui vai dar uma festa
Já sabe a quem convidar
Manda fazer os convites
Pra mesma realizar
O povo assim se comporta
Ao pobre é fechada a porta
Pra na mesma não entrar
Só receberá convite
Assim digo consciente
Quem tem boa condição
Nunca por ser boa gente
O povo é interesseiro
Convida a quem tem dinheiro
Que pode dar bons presentes
Em festa de aniversário
Casamento ou batizado
O pobre fica de fora
Por todos é descartado
Só convidam a elite
Pro pobre não vai convite
Permanece ignorado
Já sendo para um velório
Ai tudo é diferente
Todo mundo é convidado
Pra que velem seu parente
Aparentam ser bonzinhos
E até mesmo cafezinhos
Dão ali pra toda a gente
A cada dia que passa
Tiro as minhas conclusões
As mágoas guardo comigo
Também as desilusões
Me refiro ao ser humano
Causa dos meus desenganos
E infindas decepções
Certas coisas que descrevo
Aliviam o meu peito
Não o faço por inveja
Muito menos por despeito
São fatos que acontecem
Que muito me entristecem
Pra entendê-los não há jeito
A cada dia que passa
Eu fico mais convencido
Ninguém é valorizado
Nem também reconhecido
A não ser pelo que tem
Se pobre não é ninguém
De tudo é sempre excluído
Também pra chá de cozinha
Convidam cachorro e gato
Pra que levem seus presentes
Mesmo que sejam baratos
Assim eu posso afirmar
Ali so sai mungunzá
O que descrevo é um fato
Tem gente como formiga
Vão a filha a mãe e o pai
Se alguém entra com o presente
Logo com seu prato sai
Tem toda espécie de gente
Comendo mungunzá quente
É aquele vem e vai
Daquele chá de cozinha
Dos que foram convidados
Pra festa do casamento
Muitos serão descartados
É a verdade acredite
Pra muitos não vai convite
Como sempre é ignorado
Aquele que deu a festa
Bem pouca gente chamou
A maior parte do povo
Em seguida descartou
Digo com plena certeza
Pra sentar-se à sua mesa
Só os graúdos convidou
Já não importa a pessoa
Mas sim sua posição
Mesmo que não valha nada
Tendo boa condição
Ali não pode faltar
Para a festa abrilhantar
Com um bom presente na mão
O povo de Calumbi
Transformou-se totalmente
Só age por interesse
De modo conveniente
Quem tem é considerado
Que não tem é descartado
É visto como indigente
Porém dos donos da festa
Se em seguida morre alguém
Pra que assistam o enterro
Convite pra todos tem
Que digam que sou ruim
Se dependesse de mim
Pra la num ia ninguém
Por isso eu não participo
De velório de ninguém
Muito menos de enterros
Agir assim me convém
É a opção que me resta
Não fui chamado pra festa
Pra enterro não vou também
Quem deve ir pro enterro
É quem foi considerado
Quem participou da festa
Por ter sido convidado
Isso eu não farei jamais
De enterros não ando atrás
Se antes fui ignorado
Quem quiser me criticar
Que sinta-se a vontade
Mas no fundo do seu intimo
Sabe que digo a verdade
Se daqui é essa a norma
Eu ajo da mesma forma
Não fujo a realidade
É normal em Calumbi
Essa descriminação
Se alguém vai dar uma festa
Chama a quem tem condição
Já se morre um seu parente
Convidam a toda gente
E o fazem sem distinção
É assim que acontece
Essa é a verdadeira história
Despreza os mais humildes
Pra muitos é uma glória
Se fui sempre ignorado
Ficarei sempre lembrado
Eu tenho boa memória
Não tenho papa na língua
Que alguém goste ou não
Quanto ao que aqui descrevi
Não mudo de opinião
É essa a realidade
Tudo o que eu disse é verdade
Sobre a descriminação
Sem dúvida a conveniência
Reina livre em Calumbi
Eu vejo o mercenarismo
De muita gente daqui
Com essa quadro me assusto
A muitos não importa o custo
O importante é subir
Até mesmo nos enterros
Vê-se a descriminação
Se é pobre não tem ninguém
Seguindo atrás do caixão
Já no enterro de um rico
Só observando eu fico
Vai toda a população
No dia em que eu morrer
Eu digo de coração
Me bastam quatro pessoas
Pra que levem meu caixão
Até la no cemitério
É dessa forma que quero
Eu detesto encenação.