quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Calumbi, planta de espinhos.

       Calumbi, nome original desde sua fundação, quando surgiram as primeiras construções, nos idos de 1830. Aos poucos foi se desenvolvendo até que veio a construção da igreja local pelo Frei. Serafim de Catânia. No ano de 1934, Calumbi passou a categoria de povoado, passando a se chamar São Serafim, em homenagem ao Frei Serafim de Catânia, que construiu a nossa igreja. Em 1963 o então povoado de São Serafim, passou a ser cidade, voltando novamente a chamar-se Calumbi, nome original. Se na verdade o nome tem alguma influência sobre quem o recebe, Calumbi tem tudo a ver com o nome que lhe deram, pois a planta cujo nome é “Calumbi”, é da família das leguminosas, cujos espinhos são pontiagudos em toda extensão dos seus galhos que crescem na vertical, dobrando-se na horizontal, formando uma moita impenetrável, cujo acesso é impossível, salvo para pequenos lagartos, cobras e preás. O “Calumbi” é uma planta encontrada em toda extensão do Rio Pajeú, no Sertão de Pernambuco.

      Nos versos seguintes, eu comparo o antigo povoado de São Serafim que fora tão bom e hospitaleiro, com a triste realidade que hoje vivemos em nossa cidade cujo nome é Calumbi, planta de espinhos que parece exigir que os seus habitantes sejam da mesma forma. É como se fosse um tributo cobrado pela planta, por ter emprestado o seu nome a nossa cidade!

São Serafim foi uma tela
Que aos poucos perdeu as cores
Foi outrora uma roseira
Toda encoberta de flores
Calumbi tem só espinhos
Que infestam os caminhos
Dos atuais moradores

Quando era São Serafim
Seus filhos eram graúdos
Passando a ser Calumbi
Tornaram-se tão miúdos
Como estou a descrever
O que tem pra oferecer
São espinhos pontiagudos

Calumbi está atolado
Na areia movediça
O dinheiro dita as regras
É o alvo da cobiça
Sabe eu e sabes tu
Que famintos urubus
De outros querem a carniça.