terça-feira, 17 de julho de 2012

Calumbi de outrora

      Desde sua fundação foi Calumbi. Alguns anos depois, passou a ser São Serafim, em homenagem ao Frei Serafim de Catânia, que construiu a Igreja local, em 1866, vindo a mesma a sofrer algumas modificações, descaracterizando-a quase por completo. Desde sua emancipação em 20 de dezembro de 1963, como cidade independente, voltou a ser novamente chamada Calumbi, planta da família das leguminosas, cujos espinhos são pontiagudos, causando grande dor ao perfurar! Em resumo, a planta calumbi deu origem ao nome da nossa cidade. São serafim da minha infância, cujo nome passou para Calumbi, quando teve sua independência política em 1963. Nunca mais foi o mesmo, após sua troca de identidade, Calumbi tem só espinhos. Como poderia eu, nem por alto imaginar que o meu querido São Serafim, após passar a ser Calumbi, se transformaria de modo tão radical, a ponto de se tornar irreconhecível pelos seus próprios filhos e até ignorá-los e desprezá-los completamente, como se fossemos estranhos. São Serafim que outrora, tão bem acolheu seus primeiros filhos, passando a ser Calumbi, os ignora totalmente; Apenas os seus filhos mais abastados é que tem a sua proteção, a sua dedicação de pai, quanto o seu carinho. Passando a ser Calumbi, tornou-se mercenário: Não o reconheço mais. Quando era São Serafim era puro quanto ingênuo, desprovido de maldades. Não existia essa ganância generalizada, que ai está, que apoderou-se quase que totalmente, do nosso povo, outrora tão humilde. Em Calumbi, o mercenarismo nunca teve tantos adeptos quanto agora no presente, onde a palavra de ordem, é: Salve-se quem puder. Em outras épocas, a consciência do nosso povo, é que ditava as regras, e as pessoas de bem, obedeciam sem protestar. Com o passar dos dias, ocorreram as mutações trazendo novos costumes que foram se tornando normais, para certas pessoas que não tem qualquer compromisso, com suas origens, e muito menos com a sua cultura. 


Eu nasci em Calumbi
Como também me criei
Segurando em suas mãos
Meus primeiros passos dei
Pouco-a-pouco fui crescendo
Calumbi fui entendendo 
De ser ingênuo deixei

São Serafim foi uma tela
Que aos poucos perdeu as cores
Foi outrora uma roseira
Toda encoberta de flores
Calumbi tem só espinhos
Que infestam os caminhos
Dos atuais moradores

Vendo agora Calumbi
Me invade a desesperança 
Aqui era um paraíso 
Nos meus tempos de criança
Dos homens que aqui viveram
Um por um todos morreram
Dos quais eu guardo as lembranças

É muito grande a saudade
Do Calumbi de outrora
Era ingênuo o nosso povo
E não como está agora
Hoje é cada um por si 
Por isso é que Calumbi
A cada dia piora

Nada resta do que foi
Tudo se modificou 
Do que havia em minha infância 
Decerto se transformou 
Sua própria geografia
Não reconheço hoje em dia
Só a saudade ficou

Do pajeú as barreiras
Pouco-a-pouco as vi sumir
Das casas da nossa vila
O barro saiu dali
Tijolos artesanais 
De onde os nosso ancestrais 
Construíram Calumbi


Do campo de futebol
Que ao lado o rio passava
Das cacimbas do seu leito
Água límpida jorrava 
Abundando quanto doce
Com o tempo tudo acabou-se 
Tal coisa eu não esperava

Água o povo buscava
Era grande a animação
As mulheres com seus potes
Sendo homem ela um galão 
Se uma vinha um outro ia 
Logo o seu galão enchia 
Não havia discussão

Para as mulheres da época
Era um grande desafio 
Água para suas casas
Ambas pegavam no rio
Diariamente o faziam
Seus depósitos enchiam 
Não me desmente quem viu 

O leito do pajeú 
Repleto ficava a tarde
As mulheres conversando
Faziam um grande alarde
Enquanto os potes enchiam 
Todo assunto discutiam 
Grande saudade me invade 

Todo tipo de conversa
Ali a gente escutava 
Alguém que enchia seu pote
Pela amiga esperava
Botava o pote no chão
Com sua cuia na mão
Nova cacimba escavava.  





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