terça-feira, 31 de julho de 2012

Sou de um outro formigueiro

Sou feroz como o leão
Voraz como o leopardo
Astuto como a raposa 
Sou veloz como o guepardo
Sutil igual a serpente
Bruto como o urso pardo

Eu sou abelha africana
Sou igual a cascavel
Se preciso uso o veneno
Sem provocar escarcéu
Dependendo do momento
Eu sei também dar o mel

Eu não sou juiz nem réu
Nem polícia nem refém
Porém cavo e tiro terra
Quando isso me convém
Se dou minha opinião
Só a verdade contém

Só digo aquilo que acho
Indiferente ao que seja
Não falo para agradar
Não digo o que alguém deseja
Sou amante da verdade
Vou buscá-la aonde esteja

Todo aquele que almeja
Ouvir o que lhe interessa 
Não deve contar comigo
Não mudo a minha conversa
Nem mesmo sob ameaça
Não há nada que me impeça 

Muitos não gostam de mim
Mas isso só me inspira
Pois eu defendo a verdade
Como condeno a mentira
Mas minha dignidade
Isso de mim ninguém tira

Só por despeito e inveja
E falta de competência
Alguém não gosta de mim
Pela minha inteligência
Não posso ser conivente
Apoiando a intransigência

Não uso a conveniência
Igual a tantos aqui
Que não dizem o que pensam
Sempre alguém vem coibir
Quem age dessa maneira
Vive bem em Calumbi

Não apoio o que é errado
Sou sincero e muito franco
Se gosto do amarelo
Por que escolher o branco?
Indo comprar um cavalo
Por que escolher o manco?

Quando abro a minha boca
A voz vem do coração
Se é certo digo sim
Se é errado digo não
Sempre falo por mim mesmo
Não como quer o patrão

Não nasci pra ser capacho
Não sirvo de tamborete
Foi aqui que me criei
Daqui conheço o macete 
Não aplaudo o que não gosto
Pra que outros se deleitem

Existe quem não aceite
Ser da maneira que sou
Porém a mim não importa
Contente comigo estou
O meu caminho é correto
Sei muito bem aonde vou

Dessa maneira é que sou
Foi Deus quem me fez assim
Quem quiser que modifique
Para ser igual a mim
Pois nasci dessa maneira
Seguirei até o fim

Quando falo sou sincero
Em tudo aquilo que digo
Muito embora não agrade
A quem se diz meu amigo
Reconheço as qualidades
Mesmo do meu inimigo

Eu jamais direi amém
Não sigo por essa trilha
Com muitos eu não comungo
Nem rezo em sua cartilha
Gosto de quem faz justiça
Não apoio a quem humilha

Sou de um outro formigueiro
Essa é a verdade eu que o diga
Tenho hábitos diferentes
Porém conheço a ortiga 
Sabendo a folha que corto
Inteligente formiga

Sempre descrevo a verdade
E em poucas frases resumo
E o que digo não nego
Já que descrevo assumo
Com os hábitos de certa gente
Eu morro e não acostumo

Querer porém não falar
Ouvir sem nada dizer
Esperar passivamente
Que alguém fale por você
Eu jamais me presto a isso
Assim não consigo ser

Tenho boca pra falar
Só a verdade me convém
Eu falo aquilo que é certo
Mesmo que discorde alguém
Sempre que ajoelho rezo
Mas nem sempre digo amém

Sendo necessário aplaudo
Mas se discordo protesto
Nunca fui de me omitir
E sempre me manifesto
Não exijo cem porcento
Nem me conformo com o resto

Não sou daqueles que houvem
Mas não tiram conclusões
Não antecipo os meus passos
Pra não ter decepções
Otimista precavido
Que teme desilusões

Esse é o meu grande problema
Não sei fingir que estou surdo
Se devo falar eu falo
Não faço papel de mudo
Sou o crítico de mim mesmo
E não concordo com tudo

Sendo pra dizer eu digo
Não encaro o prejuízo
Se o coração está triste
Pra que nos lábios um sorriso
Não sou útil a quem não gosto
Como também não preciso

Para quem não tem vergonha
Tudo na vida é normal
Ter posição de destaque
Sem ver o lado moral
Viver bem a qualquer custo
É de fato o principal

Eu gosto de quem decide
Dando a sua opinião
Que na hora necessária
Tome a sua decisão
E indiferente a tudo
Ouça a voz do coração

Não tolero quem é neutro
Assim meu pai já dizia
Porque o neutro se omite
Apenas por covardia
Para agradar aos dois lados
É a sua filosofia

Se para subir na vida
Eu tiver que me arrastar
Aos pés de quem não merece
Isso eu não posso aceitar
Prefiro mesmo ser pobre
Mas não me deixo humilhar

Não tenho jeito pra isso
Não nasci pra bajular
Não ponho ninguém no braço
Com a intenção de lhe agradar
Isso é pra gente sem classe
Porque valor não se dar

Por quem gosto tudo faço
Pois muito sincero eu sou
Não o faço por interesse
E a quem gosto dou valor
Ao que muito se abaixa
Sem dúvida não tem pudor

Para os que são desse tipo
Vai aqui o meu desprezo
Gente assim eu ignoro
Na balança não tem peso
A quem é dessa maneira
De mim só terá desprezo

Assim conheço bastante
Que não sabe o que é classe
Para ter o que deseja
Vai mantendo o seu desface
E talvez nem se dê conta
Que de canalha não passe

Não há denominação
Pois a nada se compara
É bom dinheiro no bolso 
Como vergonha na cara
Porém em certas pessoas
Isso é coisa muito rara 

Pra essas pessoas eu olho
E até fico um pouco atônito 
Quanta falta de vergonha
Chego a ter ânsia de vômito
Já sei do que são capazes
Pelo meu desconfiômetro.  
  

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